segunda-feira, 25 de março de 2013

Ter um Deus Para Chamar de Meu!




Que reconfortante! Assim como mirar o mar num final de tarde, quando todos se levantam para ir embora com suas tralhas e barulhos peculiares e no silêncio e também no barulho do mar em sintonia tal qual uma sinfonia, servindo como perfeita trilha sonora daquele momento. Você e o mar, um a olhar o outro.  A certeza de que o mar não avança para a praia e nem você - que assim como eu - não abusa da água acima dos joelhos, sendo este o  limite   final .  Ter um Deus pra chamar de meu!
Certa ocasião, conversando com uma amiga cristã, porém de denominação diferente, ela muito se espantou ao saber que o versículo ‘Deus é fiel’, estava contido nas Escrituras, não uma, mas várias vezes, tanto no Velho quanto no Novo Testamento. Tentando se justificar, até meio constrangida por não ter conhecimento do verso, usado acintosamente por certa torcida organizada de um famoso time de futebol e, reconhecendo que não fazia parte de um simplório dito popular até pela questão óbvia de que Deus é realmente fiel, nós é que não somos, terminávamos a discussão com uma promessa: “vamos estudar a bíblia juntas qualquer dia destes?”. E apesar de sermos de igrejas e congregações diferentes e adorarmos a Deus de formas diferentes, com doutrinas, visões, mas reconhecendo que a Bíblia é a Palavra de Deus inspirada, a certeza após essas conversas, era de fato somente uma, de que: Deus é fiel. Certeza: Ter um Deus para chamar de meu!
“Mais perto quero estar, meu Deus de Ti”. E este Deus apresenta-se tão perto a cada novo dia, no cuidado de, na medida certa, permitir que o sol aqueça na medida de mais um verão e saciar a sede em dia quente... Renova-nos a esperança a cada outono onde tudo é descartado, devidamente embalado para explodir em vestimenta nova quando surge, após o inverno de introspecções e recolhimentos, a primavera exuberante! Nada tem maior valor que este: a fidelidade imerecida de Deus. Isso é ter um Deus para chamar de meu!
Ainda que haja esforço por imitar em tudo o Filho, apesar de nós, Ele nos sustenta! Ainda que estejamos dia após dia em construção, expondo trincas, Ele nos sustenta! Ainda que sem merecimento algum, pois somos falhos e miseráveis, Ele nos sustenta! Ainda que erroneamente depositemos nossa confiança em palavras que o vento leva, Ele nos sustenta!
Então, não são os dias bons ou maus determinantes. Todos os dias, até o último deles escrito pelo dedo do Criador, sempre e sempre nos concede o poder em afirmar que, mais que um privilégio, uma benção, graça imerecida é: Ter um Deus para chamar de meu!

Mais vale o pouco do justo que a abundância de muitos ímpios. Pois os braços dos ímpios serão quebrados, mas os justos, o SENHOR os sustém.  Salmos 37:16-17...


Foto ilustrativa: O Mar, a Praia e a Ponte, de Ligia Grizante.

quarta-feira, 20 de março de 2013

MEU TEMPO É DE CORAÇÃO CIVIL




Devo dizer que no começo sentirei falta (da badalação da rede)...  Ler até o final é para os fortes!
Talvez não a falta de quem tenha cobertor pequeno e que quando consegue embrulhar o pé a orelha congela no frio de um outono que se avizinha de um inverno rigoroso.
Não a falta de quem chega numa casa que nunca foi sua, mas algo que pôde um dia chamar de lar, enquanto a injustiça social não o fez refém de um “capetalismo” selvagem e faminto.
Não a falta de inimigos sinceros, mas de amigos revelados em saborosas risadas, audíveis ainda que com alguns choros a decorar quadros portáteis desta vida tão nutrida de vaidades.

Tempo curto.
Tempo precioso.
Tempo que não volta.
Tempo de resgatar sonhos.
Tempo de dar um tempo nesta vitrine.
Tempo de não permitir mais este permissivo roubo...
Do tempo.


“Quero a utopia, quero tudo e mais/Quero a felicidade nos olhos de um pai
Quero a alegria muita gente feliz/Quero que a justiça reine em meu país
Quero a liberdade, quero o vinho e o pão/Quero ser amizade, quero amor, prazer
Quero nossa cidade sempre ensolarada/Os meninos e o povo no poder, eu quero ver
São José da Costa Rica, coração civil/Me inspire no meu sonho de amor Brasil
Se o poeta é o que sonha o que vai ser real/Bom sonhar coisas boas que o homem faz
E esperar pelos frutos no quintal/Sem polícia, nem a milícia, nem feitiço, cadê poder ?
Viva a preguiça viva a malícia que só a gente é que sabe ter
Assim dizendo a minha utopia eu vou levando a vida/Eu viver bem melhor
Doido pra ver o meu sonho teimoso, um dia se realizar “.  (Milton Nascimento).

Meu coração é cristão por reconhecimento e identidade. 

Civil sempre e desde sempre  utópico.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Trabalhadores da Plantação de Uvas



Jesus disse:
-O Reino do Céu é como o dono de uma plantação de uvas que saiu de manhã bem cedo para contratar trabalhadores para sua plantação.  Ele combinou com eles o salário de costume, isto é, uma moeda de prata por dia, e mandou que fossem trabalhar na sua plantação.  Às nove horas, saiu outra vez, foi até a praça do mercado e viu ali alguns homens que não estavam fazendo nada.  Então disse vão vocês também trabalhar na minha plantação de uvas, e eu pagarei o que for justo.
-E eles foram. Ao meio dia e às três horas da tarde o dono da plantação fez a mesma coisa com outros trabalhadores.  Eram quase cinco horas da tarde quando ele voltou à praça. Viu outros homens que ainda estavam ali e perguntou: "Porque vocês estão o dia todo aqui sem fazer nada?"
-"É porque ninguém nos contratou!" -responderam eles.
-Então ele disse: "Vão vocês também trabalhar na minha plantação."
-No fim do dia, ele disse ao administrador: "Chame os trabalhadores e faça o pagamento, começando com os que foram contratados por último e terminando pelos primeiros."
-Os homens que começaram a trabalhar às cinco horas da tarde receberam uma moeda de prata cada um.  Então os primeiros que tinham sido contratados pensaram que iam receber mais; porém eles também receberam uma moeda de prata cada um.  Pegaram o dinheiro e começaram a resmungar contra o patrão dizendo: "Estes homens foram contratados por último trabalharam somente uma hora, mas nós aguentamos o dia todo debaixo deste sol quente. No entanto, o pagamento deles foi igual ao nosso!"
-Aí o dono disse a um deles: "Escute amigo! Eu não fui injusto com você. Você não concordou em trabalhar o dia todo por uma moeda de prata? Pegue o seu pagamento e vá embora. Pois eu quero dar a este homem, que foi contratadopor último o mesmo que dei a você. Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com o meu próprio dinheiro? Ou você está com inveja somente por que fui bom para ele?"
E Jesus terminou dizendo:
-Assim, aqueles que são os primeiros serão os últimos, e os últimos serão os primeiros. 


sábado, 12 de novembro de 2011



Ele Não Virou Purpurina!

Quando o conhecemos, estava já com o prazo de validade vencido para ‘trabalhar’ na avenida. Deteriorado. Pobre. Cansado.   O dinheiro para o sustento, não vinha mais da prostituição, mas de “aviões” que fazia em troca da sobrevivência cada vez mais difícil. O ‘glamour’ ficou do lado de fora de sua dor. A fantasia não o viu despido expondo a cicatriz horrenda e com queloide, ainda que, além da cicatriz na alma. Tinha o olhar perdido e de uma tristeza sem fim.
Largado e rejeitado pelos religiosos, Deus não desistia dele! Com muitas falhas de dentes, o sorriso era contido, tímido, envergonhado.  Procurava alento para seu vazio sem facilitar que a porta de seu coração fosse aberta para aquele que preenche todos os espaços.
Desistiu de sonhar. Entregou-se de vez. Mas conheceu a verdade. A pneumonia talvez tenha sido mais uma oportunidade do Pai para que ele pudesse recostar a cabeça e partir num leito de hospital, com um mínimo de dignidade. Podendo refletir, quem sabe teve tempo de tirar todas as trancas, trincos e chaves de seu coração? Pode ser que tenha permitido o acesso e se deixou tratar com água viva que corre do trono da graça, ou com o bálsamo que cura, trata, acalma a respiração,  relaxando os músculos tensos de tanto viver no escuro.
Agora é tão somente crer nas surpresas que nos reserva o céu. Quantos fariseus condenados e quantos condenados salvos! Oh Glória!!!!  
Certezas? Não temos não! Mas
Se “Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho Único para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna”, Ele, o Pai de amor, bondade e misericórdia, tenha ouvido de seu trono um sussurro deste filhinho:
“Perdão. Por favor,  Apague. Escreve meu nome no livro da vida. AMÉM.”
Nesta data, um travesti faleceu sem glamour. Sem virar purpurina. Miseravelmente só.
Como ‘família’ que acredita que, no último minuto de razão, choramos gratos pela infinita misericórdia de Deus!

Maria Grizante.

domingo, 30 de outubro de 2011



Atos 20.35


“Tenho-vos

 mostrado em tudo

 que,

trabalhando assim, 

é necessário auxiliar os enfermos,

e recordar as palavras do Senhor Jesus, 

que disse:

Mais bem-aventurada coisa é

dar do que receber.”

quarta-feira, 26 de outubro de 2011




Vamos Tomar um Café com DEUS?
A Garagem é o Seu Coração!

Falamo-nos com certa frequência. Entre outras coisas, crise financeira, cirurgias pelas quais já passou para a retirada do silicone, o resgate de vínculos familiares, a volta aos estudos, enfim, o pedido que encerra a conversa é sempre o mesmo, que continuemos a orar por ele.

Como fruto do Café na Garagem, nossa responsabilidade transcende o último domingo do mês quando acontece o Café. O compromisso é com Deus, e Ele está no controle!
Por incontáveis vezes, nos sentimos fracos, entristecidos, lutas maiores do que acreditamos poder suportar, desânimo, dificuldades e toda sorte de palavras “malditas” com a intenção de desistirmos de fato. Mas, neste momento, lemos um pequeno recado de umas poucas linhas, deixado na caixa de correio eletrônico, dando conta de que:

“Está tudo bem...” “Estou com minha família, e é bom isso, estar de volta...” “Lembro sempre deste cafezinho abençoado e como ele me fez bem...” “Fiz mais uma cirurgia. Estou em dificuldades, mas Deus cuida de mim...” “Continuem firmes e orem por mim!” “Abraços a todos do Café...” “Quem sabe um dia vou visitar vocês?!” “Saudades...”

E assina deixando-nos envergonhados com nossa pequenez diante da grandeza do Deus Altíssimo Todo Poderoso. Diante da nossa fé frágil e vacilante. Um grão de mostarda com dimensão gigantesca frente a nossa inconstância, nosso vacilo, nossa desculpa manjada e corriqueira: “quando os filhos crescerem... eu me aposentar... terminar de pagar o financiamento da casa própria... pagar o carro... terminar a faculdade... o mestrado... doutorado... o neto estiver maiorzinho... vou fazer algo”.
Jesus afirmou:

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim” 
(Jo 14.6).

Mas, como conhecerão o caminho, ou retornarão para ele, decidindo-se pela verdade e não pela morte, mas pela vida em abundância e eterna, se continuarmos firmes e arraigados à nossa zona de conforto? Como sairão do caminho estreito e de ilusões, de mentiras e de morte, se continuarmos amando somente aqueles que não exigem desafio algum? Como terão um encontro genuíno com o amor que salva, cura e liberta se questionarmos e, nos colocarmos não como servos, mas como juízes, condenando vidas a prisão perpétua, ao “corredor da morte” sem apresentar a esperança em Jesus?

Jesus tem pressa! A garagem está entulhada ou com espaço?

O café e o amor estão esfriando...

Maria Grizante.


domingo, 23 de outubro de 2011


 Eu Sei Que A Gente Se Acostuma Mas Não Devia

A Gente Se Acostuma

 Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra. A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta. A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

(Marina Colasanti)

Fonte(s):http://www.pensador.info/p/eu_sei_que_a_…